
by Sam DuRegger
Sem dúvida, muitos de vocês assistiram ao episódio final de LOST na noite de domingo, dia 23 de maio (não se preocupe, este post é spoiler livre), junto com milhões de pessoas que procuram uma solução concreta para o sexto ano desta história “Cubo Mágico”. Para manter sua sanidade e comportamento no escritório esta semana, (eu, por exemplo) estamos esperando que todas as pontas soltas e buracos negros estejam firmemente amarrados e completos com este episódio final. Porque, sejamos honestos, nada é pior do que uma ponta solta no final da série, que deixa a porta aberta para um longa-metragem, algures no futuro indefinido.
Verdade seja dita, eu não sou nenhum fanático por Lost, embora eu possa apreciar o uso de narrativas transmídia (interação com os telespectadores via internet) e multicamadas, que, creio eu, é o grande motivo para uma sequência tão grande... bem, da forma como eles abrem a caixa de Pandora a regressão é quase impossível. Todos os questionamentos levam a informações que funcionam como “teasers” para o próximo episódio (ou temporada).
Agora, eu não quero divagar mais no caminho da crítica. Eu só quero lançar uma simples pergunta: por que não podemos contar a história do evangelho como J. J. Abrams faz com LOST?
Tenho certeza que sua primeira resposta será algo no sentido de que seu pastor não é J. J. Abrams, nem a sua igreja tem um orçamento de produção de cerca de 4 milhões de dólares por domingo. Eu não penso assim. Em defesa do talento criativo, existem inúmeros pastores, escritores e estudiosos que são tão inovadoras e astutos como o famoso produtor. Embora o dinheiro ajude, não é tudo.
Deixando o orçamento de produção de lado, posso afirmar com certeza que a história do evangelho é tão multicamadas como LOST, com vários personagens, livros, profetas e culturas que se misturam para contar uma grande e majestosa história! Provavelmente existem várias razões para que a Igreja não poder contar uma história que leva as pessoas a se reprogramar
Múltiplas Plataformas
Eu acho que uma das razões, comparado com LOST, é a nossa incapacidade de transmitir a mensagem do evangelho de forma consistente em múltiplas plataformas de mídia. Isto é especialmente relevante quando pensamos na forma como integrar a nossa pregação de domingo com os membros da comunidade durante a semana. LOST era conhecido por ir acima e além de uma série de televisão, investindo em histórias por trás da série e diversos sites paralelos. Permitir que o fã encontre pistas e informações que originaram a história o faz muito mais robusto. Precisamos analisar se estamos utilizando os recursos de vídeo, fotografia, web design e conteúdo escrito para contar uma história coerente (evangelho) em oposição a uma mensagem confusa ou contraditória (mundo). Resumindo, se o sermão é a única maneira que nós estamos compartilhando o evangelho, nós não estamos fazendo direito.
Qualidade
LOST certamente tinha qualidade, algo que não podemos dizer sempre da a igreja. Às vezes, assumimos que a qualidade é uma questão financeira, e se o orçamento é pequeno, então a qualidade vai sofrer. Eu diria que um orçamento limitado na verdade lhe dá a oportunidade de ser inovador para encontrar novas formas de comunicar a mensagem. Para mim, a qualidade é uma forma de pensar, uma disciplina mais do que qualquer outra coisa. A mensagem do evangelho merece ter uma apresentação bem pensada e você não precisa de um orçamento milionário para fazer isso. O que você precisa é uma equipe dedicada à produção de qualidade. Não se iluda achando só as igrejas grandes podem alcançar qualidade. Valorize a mensagem fazendo tudo com qualidade e nunca use as finanças como uma desculpa quando você entregar um produto ou um serviço pobre domingo.
Mistério
Além disso, (aqui é mais uma posição teológica) precisamos melhorar com uma estratégia provocante ao invés de uma estratégia repulsiva. Isso talvez seja o coração do que faz LOST tão envolvente. O que quero dizer é que devemos não dar todas as respostas em nossos sermões, vídeos e comunicação escrita, porque, assim como LOST compreendeu, o mistério é o que faz as pessoas curiosas para saber mais. Escancarar a verdade, como respostas ou proclamações, dissuade muitos de procurar a verdade encontrada inerentemente na mensagem do evangelho que foi inspirado em toda a Bíblia. Às vezes é melhor diluir o evangelho e fomentar o seu mistério do que soletrar tudo e não deixar nada a ser explorado. Mesmo no final, LOST deixou algumas perguntas sem resposta, e até isso faz parte do que o torna tão atraente.
- Então, como você acha que nós (como a Igreja) pode fazer um trabalho melhor na proclamação da história do evangelho?
- Quais são os elementos multimídia que podemos adotar em nossa releitura do evangelho?
- De que forma podemos promover a qualidade e clareza na comunicação da história de Jesus?
- Como podemos deixar algum mistério em nossos sermões e comunicação da igreja, levando a nossa curiosidade da comunidade?
Boa Benjamex! Por essas e outras eu sou teu fã número 1! (talvez eu perca pra Nat e dona Márcia)
ResponderExcluire cara aí... rs... valeu!
ResponderExcluirMuito interessante essa reflexão!
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